Editorial

maio 3, 2008

A APROXIMAÇÃO CATÓLICA

No primeiro texto de O ELOGIO, comentei sobre a Viagem Apostólica do Papa Bento XVI aos Estados Unidos. O encontro do Santo Padre com o presidente George W. Bush sinaliza uma união de ideais marginalizados pelo mundo moderno. Ainda que nós, católicos, orientados pelo Concílio Vaticano II, não nos alinhemos com a ação protestante unilateral, que por vezes ignora a complexidade política do mundo (exemplo disto está na problemática intervenção americana no Iraque), admiramos muito a autêntica firmeza americana de persistir na fé e na liberdade. O povo americano fiel a Deus sabe que o agir correto é indicado por uma lei moral, que vem de Deus e está escrita nos corações de todos os seres humanos. E bendito seja o Papa Bento XVI por lembrar dessa verdade em seu discurso na ONU. O mundo precisa resgatar a razão iluminada por Deus, um tanto marginalizada numa época em que muitos se recusam a admitir a própria existência da dignidade humana. Há mais de 500 anos, quiseram se separar da Igreja que o próprio Cristo quis instituir. Em seguida, os falsos iluminismos vieram e muitos quiseram se separar de Deus. Atualmente, num sinal da progressiva arrogância, querem negar o próprio homem. Assumindo perspectivas que oscilam entre ateísmos, holismos, panteísmos e sincretismos, muitos relativizam a própria humanidade e consideram a experiência humana algo tão banal, corriqueiro, essencialmente desconhecido ou igualmente importante como o movimentar das ondas, o comportamento dos animais ou a posição da Lua.  É preciso repudiar tais perspectivas, caso contrário, a ação humana, progressivamente, tenderá a um grau insuportável de relativismo, no qual o perigo de genocídios, holocaustos e horríveis abusos à dignidade dos homens estarão latentes. É preciso urgentemente assumir o conhecimento do homem e do mundo a partir da causa primeira, que vem de um Deus que, entre a opção do Universo e do nada, por ser, uma Providência de amor, quis que fôssemos criados à Sua semelhança. Orientados pela razão, é dever dos homens agir em vista da liberdade plena, de modo que o mal, que é a ausência de Deus, seja evitado. O mundo moderno oferece desafios aparentemente insuperáveis para quem quer agir de tal modo, porém é preciso ter forças para não se abalar. É preciso aproximar-se do mundo com coragem. É preciso ter uma confiança inabalável na boa vontade escrita nos corações humanos, de modo que, a partir de cada boa intenção, por mais que venha de terrenos dissociados da unidade que nós, católicos, temos tanta sede, tenhamos a esperança de que o mal, está de algum modo, sendo vencido. Lembro-me das belas palavras do Papa João Paulo II em seu livro Memória e identidade: ”Porventura Goethe não designou o diabo como ‘Uma parte daquela força, que quer sempre o mal e faz sempre o bem’? E São Paulo, por sua vez, adverte: ‘Não te deixes vencer pelo mal; vence antes o mal com o bem’.”

Caros leitores, agradeço a aproximação e a boa vontade. Abençoados por Deus, que a Bem-Aventurada Maria Santíssima interceda por nós e por todos os homens, para que saibamos bem agir nesse mundo repleto de desafios,

Rafael Carneiro Rocha
Editorial de maio de 2007

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