Viagem Apostólica do Papa
Abril 20, 2008
por Rafael Carneiro Rocha
Acompanho pela Internet e pelo canal de TV Fox News, a Viagem Apostólica do Papa Bento XVI aos Estados Unidos. Nas homilias e nos discursos, as repetidas vezes em que o Santo Padre menciona a palavra “reconciliação” sinalizam um dos principais objetivos de sua viagem. As viagens apostólicas permitem concentrações de católicos fascinados pela presença do Vigário de Cristo, portanto, trazem renovações de fé, esperança e caridade às nações. Na viagem aos Estados Unidos, o Papa leva a certeza da reconciliação, lembrando, de alguma forma, a mensagem de esperança de sua última Carta Encíclica:
“Nunca é tarde demais para tocar o coração do outro, nem é jamais inútil. Assim se esclarece melhor um elemento importante do conceito cristão de esperança. A nossa esperança é sempre essencialmente também esperança para os outros; só assim é verdadeiramente esperança também para mim. Como cristãos, não basta perguntarmo-nos: como posso salvar-me a mim mesmo? Deveremos antes perguntar-nos: o que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança? Então terei feito também o máximo pela minha salvação pessoal”.
No encontro com o Presidente George W. Bush, o Papa ouviu dele as seguintes palavras:
“Aqui, na América, o senhor encontrará uma nação de orantes. Cada dia, milhões de nossos cidadãos se aproximam de nosso Criador de joelhos, buscando sua graça e agradecendo pelas muitas bênçãos que Ele nos concede. Milhões de norte-americanos rezaram por sua visita, e milhões buscam orar com o senhor esta semana. Aqui na América o senhor encontrará uma nação que dá as boas-vindas ao papel da fé na praça pública. Quando nossos fundadores declararam a independência de nossa nação, eles lançaram sua causa no apelo às ‘leis da natureza, e do Deus da natureza’. Acreditamos na liberdade religiosa. Acreditamos também que um amor pela liberdade e uma lei moral comum são escritas em cada coração humano, e que estes constituem o firme fundamento no qual cada sociedade livre bem sucedida deve ser construída. Esta é uma das maiores forças de nosso país e uma das razões de que nossa terra mantenha a esperança e a oportunidade para milhões de pessoas por todo o mundo. Acima de tudo, Santo Padre, o senhor encontrará na América pessoas cujos corações estão abertos para sua mensagem de esperança. E a América e o mundo precisam desta mensagem”.
Em sua visita à sede das Nações Unidas, o Papa Bento XVI afirmou que a Declaração Universal dos Direitos Humanos se aplica a todos, porque repousa na comum origem do indivíduo, sendo que a criação mais elevada de Deus para o mundo e para a história é a pessoa humana. Em seguida, utilizando dos mesmos termos de Bush, o Papa disse que a Declaração é baseada numa lei natural escrita nos corações humanos e que está presente em diferentes culturas e civilizações.
Apesar de divergirem em tópicos como a intervenção no Iraque e de aspectos da condução política macro-econômica, eles se unem na crença às leis naturais e no combate a um relativismo que ameça a liberdade humana. Mas, enquanto para Bush o ataque ao relativismo se apresenta, por vezes, numa tentativa protestante de ação unilateral no mundo, para o Papa Bento, se trata sempre de combater a arrogância antropocêntrica que leva o homem ao impasse existencial. Na cerimônia da Sexta-feira Santa de 2005, substituindo o Papa João Paulo II, o ainda Cardeal Joseph Ratzinger já afirmava:
“A barca com o pensamento dos cristãos sofreu, não pouco, pela agitação das ondas, arrastada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo até a libertinagem, do coletivismo ao individualismo mais radical, do ateísmo a um vago misticismo, do agnosticismo ao sincretismo”.
A lucidez do Papa Bento XVI e a sua compreensão inteligente do mundo são verdadeiros presentes para quem o escuta. Portanto, agora, em sua viagem apostólica aos Estados Unidos, levando a palavra de Cristo, o Papa Bento XVI fará com que muitos voltem para a ”barca” ou a conheçam pela primeira vez.